Tuesday, March 8, 2011

Você, 25 ou menos

Hoje, tão mais amante que poeta, calei. Fugi do tormento da escrita até considerar o alívio que poderia ser, e espero que seja. 

Carnaval estranho esse. Meus planos se resumiam a fazer nada, depois uma viagem de última hora que mataria qualquer um de vontade, e me matou, but then again, estranho. Uns dias de estranhamento total, uma volta a sentimentos antigos de não pertencer a algo, preocupações que não valem muito a pena. Cancela a viagem. 

Eu, 19 anos, chorando para ficar em casa no carnaval. 

Dia 1: vai pra aeroporto, recebe amiga querida de viagem, abraço gostoso, encontro de amigos. Dia 2: aeroporto de novo, amiga diferente, abraço de saudade e de conforto que nem a gente entende de onde veio (tão poucos nossos abraços). Encontro de amigos de novo, turma que ninguém tinha muita certeza se seria reunida sem maiores atropelos. Bebida, muita. 

Eu, 19 anos, querendo afogar mágoa em álcool. 

O resto dos dias pode ser resumido. Casa, filme, comidas que engordam, colo de mãe. Recusas de saídas, passeio na praia, mais colo de mãe. Pega o celular, abre o flip muito mais por hábito que por objetivo, fecha. Celular para quê? 

Celular era para mandar uma mensagem de 'boas vindas de volta' ainda na madrugada da chegada. Mas em algum lugar desses dias estranhos eu achei que não devia, e celular passou a ser para receber uma mensagem sua, se assim você quisesse. 

Meu retiro foi sabotado pela minha vontade de não confrontar esses pequenos grandes monstros, até hoje. Hoje de madrugada, quando você volta pro meu mundo. 

Eu nunca gostei dessa ideia de "time apart", na minha cabeça isso só serve para ver que você pode viver sem. 
Sejamos realistas aqui, pode até doer, mas todo mundo sempre pode deixar outro alguém pra trás. A gente mergulha nessa fantasia de não estar sozinha e a presença do outro mina nosso raciocínio até ele ser completamente extinto e é aqui que nós ficamos cegas, vulgo, apaixonadas. Eu posso ficar sem, mas não estou com a menor vontade, ninguém precisa ficar lembrando que eu me basto. Eu gosto de não me sentir sozinha, eu gosto de fazer coisas que só faria com o raciocinio afetado. EU NÃO GOSTO DE TIME APART. 

Tempo é especialista em criar dilemas, e eu sou mestre em aplificá-los. Agora eu já penso em todas as possíveis reações pós viagem: o enésimo surto, o não devo, não posso. No fim da lista um "senti saudade". 

Surto meu, achar que você poderia não voltar, surto maior ainda por achar que seria mais fácil. Só em um dia muito estranho eu ia chegar a essa conclusão ridícula... e dia estranho por que? Por saudade, eu arrisco dizer, por medo, por esperança, por dúvida. 

Daqui a pouco é madrugada e eu não decidi se devo/posso/quero lhe mandar uma mensagem. 

Eu, 19 anos, apaixonada.

5 comments:

  1. de quem é esse texto? dá para citar a fonte?
    é que li em outro blog tb...mas com outros acréscimos.

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  2. Anônimo, você pode me mandar um email e a gente conversa?

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  3. -- Outro anônimo (nada a ver com os anteriores --

    O que que você faz da vida? estuda?
    Uma curiosidade: por que você sentiu a necessidade de fazer este blog e como se sente para escrever esses textos? o que eles realmente querem dizer? Pra quem são?


    Responde se quiser, é só uma curiosidadezinha

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  4. Outro Anônimo,
    Sim, estudo. Faço direito.

    Sobre as suas outras perguntas, eu não tenho problema nenhum em responder, mas não me sinto a vontade para fazer assim, pra um anonimo.
    Se quiser me manda um email, esse que ta no comentário anterior.

    Obrigada pela visita e pelo comment =)

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