Monday, December 27, 2010

Vontade

Do seu calar se fez a minha incerteza.
Vacilo pouco do sentimento,
E muito mais de tristeza.
Um talante quase sem por quê,
Perturbado pelo abatimento,
Embora cheio de querer.

Desejo que não conheceu Não
Morre de medo de encontrar,
Ou Ele ou exitação.
Apesar do delito, espera o perdão.

Absolvição pintada de felicidade,
Desenhada por seu beijo
E cunhada por minha saudade...

Sou sempre pura vontade!

Monday, December 6, 2010

Why so scared? (Part IV - Final)

Medo, medo, medo!

Tanto tempo investido e ainda é medo a sua resposta para mim.

Tempo, tempo, tempo, Mano Velho... Será que é você que vai me trair no fim? E se vai, é pela falta ou pelo excesso? Eu exercito a paciência; dou passinhos de tartaruga, espero uma resposta, um olhar que seja, que me diga que estou no caminho certo, que posso ir em frente.

Meu sorriso, minha conversa boba, meu toque, meu olhar... Você estava acostumado, o que aconteceu, então? Tempo, o tempo que eu não tenho ao seu lado e outros têm de sobra.

E lá estava eu - com meu sorriso de segunda-feira cuja única motivação é a expectativa de algo melhor, porque a vida está mesmo difícil - e você, não mais indiferente, ficou preso no limbo entre sua razão e Eu (sua vontade?).

Talvez eu ainda seja só a menininha simpática, mas não admito a possibilidade de continuar assim por muito. Talvez eu esteja muito errada, mas os motivos são nobres (nobres porque sinceros). Talvez você já tenha chegado ao seu limite, mas para mim é pouco.

Limites, limites, limites...

Seu desconforto e meu desassossego se unem em gestos singelos da intimidade conquistada e de pura sinceridade. E o desconforto deu lugar ao seu oposto, somente para seu ímpeto lhe trair e você pensar alto demais.

“Eu estou me controlando”

Repassei a frase em minha mente algumas vezes para ter certeza que não ouvi errado, olhei para você: inquieto, mudo, mas me olhava, provavelmente foi traído por si novamente e olhou mais do que sua consciência pôde contabilizar.

Medo, medo, medo.

Queria poder dizer que não precisa de controle, o que precisa é do meu beijo e tudo vai passar porque vou cuidar de você. Queria pedir que não fugisse e me deixasse ficar.

Ah, se ele soubesse... que em cada possível temor que sente, sou eu que estremeço, que a cada dúvida sua, sou eu que perco o sono. Se soubesse como eu o quero... e se acima de tudo, soubesse que não importa quão assustado se sinta, quem tem medo sou eu.

Thursday, December 2, 2010

Eu, que não aprendi a perder

Eu, que do alto da maturidade dos meus três anos decidi abandonar a chupeta. Minha mãe me contou que um belo dia eu acordei e disse que não queria mais, adorava, mas não queria. Eu me considerei grande demais para um costume tão infatil e joguei a minha preferida fora. Mamãe, com medo deu me arrepender de uma decisão tão drástica guardou uma chupeta reserva que serviria para me acalmar. Ela conta, com certo orgulho escondido, que eu chorei por dois dias e mordia meu dedo como que querendo suprir a falta daquele objeto indigno de mim. Muito solidária, minha mãe me ofereceu por diversas vezes a chupeta que havia guardado, mas eu sempre recusava. Ao terceiro dia eu não chorava, porque eu sou forte.

Eu, que quando criança quis brincar em um touro mecânico. Lembro do medo que senti, não me julgue, não ria... Eu tinha medo porque ele tinha um rosto e era coberto por pele de verdade, mas medo não se explica. Enchi-me de coragem e tentei subir, comecei a chorar, saí derrotada nos braços do meu pai. Na semana seguinte eu voltei ao mesmo lugar e subi no touro, mas desci antes que fosse ligado. Eu tinha muito medo, passei semanas frequentando o lugar - apoiada pelos meus pais e pelo dono do touro que começou a realmente admirar minha persistência para um objetivo tão reles - até o dia em que não só montei como não caí. Eu chorei de raiva por ter medo, mas me tornei ótima em algo que considerava difícil, porque eu não admito temer nada.

Eu, que quando fiz natação treinava com os adultos. Nadava bem demais para a minha idade, me relacionava melhor com os pais dos meus amigos e acabei ficando amiga da mãe de um garotinho um pouco mais velho do que eu. Eu fui boa por pura aptidão e fui adulta porque me considerei superior.

Eu, que fui a melhor levantadora que pude. Na segunda semana de treino entrei para o time acima da minha faixa etária e observei, procurei ser inteligente, detalhista, perfeccionista. Minha habilidade ganhou técnica, talvez tenha sido nesse momento que eu aprendi a observar tanto... Orgulho-me em dizer que quando precisei deixar a equipe meu técnico ofereceu toda e qualquer possibilidade para que eu continuasse. Eu fui uma das melhores porque eu me dediquei.

Eu, que aprendi a falar inglês praticamente sozinha. Entrei para o melhor curso para falar perfeitamente (não quiseram me aceitar por não ter a idade mínima, fui a caçula da turma mais uma vez). Terminei com honras, apesar de não ter atingido 10% de presença no último semestre. Alguns anos após a minha conclusão fui citada como exemplo de aluna, num curso para professores na mesma escola. Eu fui a melhor porque eu me dediquei ainda mais.

Eu, que montei um cubo mágico. Com um tempo total de aproximadamente dois anos entre a compra e montagem completa, com largas interrupções, eu consegui. Eu consegui porque eu não desisto.

Eu, que sempre fui caçula vou ser mais velha na faculdade. Eu ainda não passei, e só eu entendo a dor que é achar que minhas vitórias não valem mais tanto. Aluna impecável, sempre figurando entre melhores notas, melhores trabalhos. Inteligente, interessada, dedicada. Eu aprendi tudo, mas não aprendi ainda a não ter medo de fracassar, não aprendi a ser condescendente comigo. Minha vida contribuiu para essa exigência exacerbada, eu sempre consegui tudo, mesmo quando pareceu que ficaria pelo caminho...

Às vezes parece que eu estou ficando no caminho e eu preciso mesmo lembrar. Lembrar que acima do meu perfeccionismo e do meu medo de não ser incrível estão a minha dedicação, minha determinação, minha persistência.

E eu não desisto, nem perco.