Thursday, April 8, 2010

Beach Party



Uma festa de velhos amigos, uns muito amigos, outros apenas colegas, mas todos de um tempo que não pode ser esquecido, momentos muito íntimos nos conectaram. Foi na casa de praia de um amigo que aconteceu a grande reunião, a programação era para dois dias e a sensação que me dominava era a de que todas as pessoas importantes na minha vida estavam lá, com cada um dos presentes eu tinha um passado. Um trabalho, uma discussão, um jogo, muitas lágrimas, por todos os motivos. Uma vida inteira compartilhada. 

Todos os desentendimentos eram pequenos demais, foi há tanto tempo, afinal. Aqueles dias eram só nossos, eram para ser criança e fazer besteira. Começando pela organização dos carros. O nosso estava lotado, todo mundo bebendo, e tinha blitz na estrada... Não lembro o que eu disse, talvez por ter dito muito, mas convenci o policial a liberar nossa passagem. Só então prestei atenção em quem dirigia. 

- Eu lembro de você! Nossa, faz muito tempo. 

- Eu também lembro de você. 

- Seu nome.. Não diz, vou lembrar... ehr.. Felipe, é FELIPE!! 

O anfitrião era Mauricio, e quando chegamos todos já estavam ocupados: jogos de cartas, rodinha de violão, uma rede armada testemunhando o reencontro de times que foram muitas vezes família. Time que eu tive que deixar cedo demais e ainda me dá saudade, eu nunca vou esquecer alguns pontos, a bola perfeita, o jogo impossível que foi ganho. A bola caiu e um deles veio me abraçar, surreal. 

Cantamos as nossas músicas e a todo instante eu parecia prever a chegada de alguém importante, mas a noite veio antes e com ela uma fogueira, vinho, mais música. O clima de romance inspirou antigos casais que sumiam e não mais voltavam. A atmosfera era absurdamente leve, abracei Thaís, abracei Rafinha e nasceu o dia. 

Minha mochila ainda estava dentro do carro, ri da minha falta de necessidade de tudo que julgo tão importante nos dias normais. Thaís me olhou séria. 

- Ele vai chegar daqui a pouco. 

- Eu sei, eu sabia desde ontem. Temos muitos amigos em comum aqui. 

- Ele me ligou, ta trazendo a namorada ciumenta. 

- Hurrum. 

Um ano. Pelas minhas contas era o tempo que não o via. Não amava mais, não desejava mais. Era muito especial, mas era só mais uma pessoa especial. 

Chegou. Eu estava jogada em um puff e alguém fazia carinho em mim, não levantaria por nada. 

Veio até mim com a namorada que não me conhecia, mas me odiava, elementar. Sorri largamente e Ele me ofereceu a mão para eu levantar. Claro que eu levantaria. Abraçou-me e me tocou diferente, dei um passo para trás me afastando imediatamente, condenei seu gesto e reparei na namorada, tão perto e tão alheia. Ele me olhou, como já olhou outras vezes, me desafiou e eu entendi a brincadeira. Dei três passos em sua direção e como em um abraço repousei minha mão em sua nuca e lhe beijei os lábios. Era um joguinho típico. 

A namorada não viu. Nos afastamos naturalmente e sorrimos, nos conhecemos tão bem, era tão fácil provocar. Voltei a ocupar meu lugar no puff, Ele, previsivelmente resolveu ficar por ali mesmo. A casa estava um caos, mas precisei entrar. Peguei minha mochila e finalmente coloquei em um dos quartos. Ouvi a porta sendo fechada atrás de mim. 

- Oi. 

- Achei que já tivesse lhe cumprimentado adequadamente. 

- Já. Eu senti saudade. 

- Também senti saudade, aliás, eu sempre sinto, só esqueço às vezes. 

- Você já me disse isso. 

- Eu sei. Continua verdade. 

Saí do quarto e chamei Thaís, só ela daria o conselho que eu precisava ouvir e se não desse também não brigaria (muito) comigo. Era contra meus princípios, era masoquista, era voltar no tempo, mas eu queria muito. Queria mais uma vez. Minha amiga sem limites rapidamente traçou o plano para entreter a namorada, eu teria pouco tempo para tirá-lo de onde estava. Senti vergonha, estranho, e senti medo de ouvir não, mas já ouvi tantos. Sentei ao seu lado. Estávamos perto e a namorada já estava a uma distancia segura. 

Falei em seu ouvido: a gente se fez muitas promessas, mas tem uma que eu quero que você mantenha. Um dia, quando nem estávamos juntos, você disse que eu sempre seria diferente, que mesmo namorando, ou mesmo que muito tempo passasse, você nunca seria capaz de resistir à mim. Hoje, eu quero que você diga que continua não conhecendo ninguém como eu. E quero sair daqui com você. 

Ele olhou fundo nos meus olhos, como era hábito. Traguei-o para mim e Ele levantou, me puxand... 







Trin trin trin… 

Despertador tocou.

3 comments:

  1. É incrível como você me conhece. Nos conhece.

    "Também senti saudade, aliás, eu sempre sinto, só esqueço às vezes." - Verdade absoluta

    E eu não tô esquecendo agora.

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  2. E a riqueza de detalhes faz viajar... =]

    Aline

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