Wednesday, April 14, 2010

Don’t hate the player



Quantas vezes você já ouviu alguém maldizer a ‘malandragem de um jogador’? E quantas vezes, você mesmo, disse que ‘aquele conquistador não tem sentimento’? 

Parece tão fácil, para todo mundo achar... E eu nunca entendi por que uma pessoa que se doa tanto é considerada fria, sim, o tipo ao qual me refiro dá muito de si. Entrega o corpo e dedica sua atenção e parte do seu tempo, satisfazendo as expectativas que giram em torno da concepção que outros fazem dele próprio. Pensam que ele usa, mas é tão usado quanto, mais vezes e por mais pessoas. 

Já percebeu como são figuras desejadas? Todo mundo quer tirar uma lasquinha. Porque ele tá lá, é bonito, agradável, interessante... e pode ser fácil se você o divertir um pouco, ou no mínimo lhe dará um não educado e cheio de charme. 

Não sei... Eu sempre achei o contrário e talvez esta seja a origem de alguns problemas na minha vida sentimental. Sempre achei o cafajeste o mais frágil da festa, o mais misterioso, o mais cheio de sentimentos e sim, o mais interessante. 

Com a mesma facilidade que todo mundo vê um cachorro, eu vejo alguém meio parecido comigo. Um tanto perdido, machucado pela vida e pelas pessoas, sem querer se mostrar muito e ao mesmo tempo mostrando o que é conveniente, controlando o jogo, jogando, ganhando (?). Toda conquista tem um sabor meio agridoce no fim. 

Eu acredito que grandes amores perdidos, grandes decepções resultam em conquistadores incuráveis; pessoas de personalidade muito forte postas em situações de completa fragilidade. É como tirar um leão da selva, onde caminhava 20 km em um dia, e colocá-lo em uma jaula de 2m. Se antes andava a passos lentos e constantes, agora vai correr em círculos até cair exaurido e sem êxito. 

Uma carga imensa de emoção, frustração, orgulho e medo. Eles não bebem na fonte da vida, são ávidos e mergulham, se afogam. 

É tão óbvio que quem tem muitos aos seus pés (porque assim deseja) e se divide em atenção a todos é a figura mais carente do jogo. Uma procura incessante, e inconsciente, de braços em braços, dia após dia. Não deseja se envolver porque acredita que se basta, quando em verdade, é quem mais precisa de alguém ao seu lado num dia de resfriado. 

Eu tenho medo, porque para mim é muito claro. 

Eu sempre me identifico com o personagem controverso do filme - nunca gostei das mocinhas pudicas - sou prática, sou expansiva, sou condescendente com posturas que outros condenam (já fui traída e perdoei, já fui a outra, mas nunca traí), sou romântica, gosto de conquistar, gosto de ser desejada... Sou muito sensível e já fui muito machucada. Pareço uma rocha que não quebra por mais que batam - e batem bastante – e está sempre lá, no mesmo lugar, da mesma forma que antes, com o mesmo jeito doce pronta para a próxima (?). 

Até quando? 

Tenho medo de esquecer que nada me abala. 




PS.: I’m not a player. Uma conquistadora não escreveria esse texto, ou escreveria?

Thursday, April 8, 2010

Beach Party



Uma festa de velhos amigos, uns muito amigos, outros apenas colegas, mas todos de um tempo que não pode ser esquecido, momentos muito íntimos nos conectaram. Foi na casa de praia de um amigo que aconteceu a grande reunião, a programação era para dois dias e a sensação que me dominava era a de que todas as pessoas importantes na minha vida estavam lá, com cada um dos presentes eu tinha um passado. Um trabalho, uma discussão, um jogo, muitas lágrimas, por todos os motivos. Uma vida inteira compartilhada. 

Todos os desentendimentos eram pequenos demais, foi há tanto tempo, afinal. Aqueles dias eram só nossos, eram para ser criança e fazer besteira. Começando pela organização dos carros. O nosso estava lotado, todo mundo bebendo, e tinha blitz na estrada... Não lembro o que eu disse, talvez por ter dito muito, mas convenci o policial a liberar nossa passagem. Só então prestei atenção em quem dirigia. 

- Eu lembro de você! Nossa, faz muito tempo. 

- Eu também lembro de você. 

- Seu nome.. Não diz, vou lembrar... ehr.. Felipe, é FELIPE!! 

O anfitrião era Mauricio, e quando chegamos todos já estavam ocupados: jogos de cartas, rodinha de violão, uma rede armada testemunhando o reencontro de times que foram muitas vezes família. Time que eu tive que deixar cedo demais e ainda me dá saudade, eu nunca vou esquecer alguns pontos, a bola perfeita, o jogo impossível que foi ganho. A bola caiu e um deles veio me abraçar, surreal. 

Cantamos as nossas músicas e a todo instante eu parecia prever a chegada de alguém importante, mas a noite veio antes e com ela uma fogueira, vinho, mais música. O clima de romance inspirou antigos casais que sumiam e não mais voltavam. A atmosfera era absurdamente leve, abracei Thaís, abracei Rafinha e nasceu o dia. 

Minha mochila ainda estava dentro do carro, ri da minha falta de necessidade de tudo que julgo tão importante nos dias normais. Thaís me olhou séria. 

- Ele vai chegar daqui a pouco. 

- Eu sei, eu sabia desde ontem. Temos muitos amigos em comum aqui. 

- Ele me ligou, ta trazendo a namorada ciumenta. 

- Hurrum. 

Um ano. Pelas minhas contas era o tempo que não o via. Não amava mais, não desejava mais. Era muito especial, mas era só mais uma pessoa especial. 

Chegou. Eu estava jogada em um puff e alguém fazia carinho em mim, não levantaria por nada. 

Veio até mim com a namorada que não me conhecia, mas me odiava, elementar. Sorri largamente e Ele me ofereceu a mão para eu levantar. Claro que eu levantaria. Abraçou-me e me tocou diferente, dei um passo para trás me afastando imediatamente, condenei seu gesto e reparei na namorada, tão perto e tão alheia. Ele me olhou, como já olhou outras vezes, me desafiou e eu entendi a brincadeira. Dei três passos em sua direção e como em um abraço repousei minha mão em sua nuca e lhe beijei os lábios. Era um joguinho típico. 

A namorada não viu. Nos afastamos naturalmente e sorrimos, nos conhecemos tão bem, era tão fácil provocar. Voltei a ocupar meu lugar no puff, Ele, previsivelmente resolveu ficar por ali mesmo. A casa estava um caos, mas precisei entrar. Peguei minha mochila e finalmente coloquei em um dos quartos. Ouvi a porta sendo fechada atrás de mim. 

- Oi. 

- Achei que já tivesse lhe cumprimentado adequadamente. 

- Já. Eu senti saudade. 

- Também senti saudade, aliás, eu sempre sinto, só esqueço às vezes. 

- Você já me disse isso. 

- Eu sei. Continua verdade. 

Saí do quarto e chamei Thaís, só ela daria o conselho que eu precisava ouvir e se não desse também não brigaria (muito) comigo. Era contra meus princípios, era masoquista, era voltar no tempo, mas eu queria muito. Queria mais uma vez. Minha amiga sem limites rapidamente traçou o plano para entreter a namorada, eu teria pouco tempo para tirá-lo de onde estava. Senti vergonha, estranho, e senti medo de ouvir não, mas já ouvi tantos. Sentei ao seu lado. Estávamos perto e a namorada já estava a uma distancia segura. 

Falei em seu ouvido: a gente se fez muitas promessas, mas tem uma que eu quero que você mantenha. Um dia, quando nem estávamos juntos, você disse que eu sempre seria diferente, que mesmo namorando, ou mesmo que muito tempo passasse, você nunca seria capaz de resistir à mim. Hoje, eu quero que você diga que continua não conhecendo ninguém como eu. E quero sair daqui com você. 

Ele olhou fundo nos meus olhos, como era hábito. Traguei-o para mim e Ele levantou, me puxand... 







Trin trin trin… 

Despertador tocou.