Tuesday, February 23, 2010

Ahhh o carnaval (dia 1)



Sexta à noite, por volta das 22h: 

- Brabinha, vai passar carnaval onde? 
- Em casa, estudando talvez. Queria ir pra Olinda, mas ninguém daqui se animou. 
- Pois então bora pra Olinda? 
- Ohn, não fala, eu quero.. Como é isso? 
- A gente vai amanhã, eu e você, e voltamos domingo. 
- Ehr.. 

E foi assim que começou meu carnaval. Eu, que sempre odiei a data e fugia de qualquer movimento tive meu corpo possuído por um espírito do Maracatu - ou de uma passista de frevo... Tudo que eu queria era me jogar no meio do povo (e das ladeiras). 

Eu, povo, ladeira... Claro que me jogaaaaaaar não foi o que aconteceu, mas na tarde do sábado lá estávamos Eu, Diana e Joãozinho. Pausa para apresentar Joãozinho. 

Amigo da mãe da Diana, amigo do trabalho: olha que sujeito responsável... Um tipo meio europeu, taciturno era minha definição para ele que não abriu a boca durante os 300km em que eu e Di cantamos. 

Three little birds, sat on my window
And they told me I don't need to worry.
Summer came like cinnamon, so sweet,
Little girls double-dutch on the concrete. 
(…) 

Olinda é ótima se você souber achar a rua certa, e se na rua certa você fizer amizade com a mulher do churrasquinho que vai lhe dar passe-livre para o “camarote”, vulgo laje: espaço mais concorrido do mundo de Olinda. Passamos a maior parte do tempo lá, descemos para fazer uma vistoria no lugar e Joãozinho disse que ia “sair e voltava já”. 

Não existe “eu volto já” em Olinda. Não existe “te encontro em tal lugar”, principalmente se ninguém tem celular ou relógio. A lição número dois foi perdida por Joãozinho, ele resolveu seguir um bloco. E depois seguiu OUTRO bloco e nunca mais voltou. Qual a primeira lição? 

NÃO DEIXE A CHAVE DO CARRO COM O AMIGO RESPONSÁVEL QUE VAI SUMIR. 

4h de Olinda depois, muitos amigos encontrados, amigos novos feitos, cansaço tomando conta do corpo que saiu direto de Natal para a folia e nada de Joãozinho no lugar marcado. Mil idas e vindas na rua, multidão, homens suados, bêbados de um dia inteiro. Achamos que voltar pro carro era melhor, se você se perde dos amigos numa festa pra onde vai? Pro carro. 

/not 

Joãozinho não tava no carro. Pacele (amigo novo1), Rick (amigo novo 2), Diana e Eu sentamos no carro – em cima do carro. 

- A gente pega um táxi e vai pro hotel. 
- A gente não tem celular pra chamar um táxi, o dinheiro pra pagar tá dentro do carro e de que adianta estar no hotel se não tiver uma roupa pra trocar? 
- Ehr... 

Pacele e Eu voltamos, eu já disse que o estacionamento era longe? Era muito longe e tinham muitas ladeiras no caminho. Muitas ladeiras iguais e eu não sou a pessoa mais bem localizada do mundo. Nem Pacele. 

- Pacele, eu não lembro daquele posto que passou. 
- É porque ninguém tava prestando atenção na rua. 
- Pacele, eu não lembro daquele supermercado. 
- Ahh, olha ali a avenida, é só andar até lá. 

E assim nós andamos mais alguns metros até a avenida errada. Paramos, comprei uma água e joguei em mim mesma sob o olhar inquisidor da vendedora que não fazia idéia da dimensão do meu cansaço. Achamos a ladeira certa para o caminho de volta, mas não Joãozinho. 

Diana e Rick haviam saído para nos procurar, preocupados com a demora. 

- Alguém sabe fazer uma ligação direta? Se a gente arrombasse o carro ficava mais fácil... 
- Não... Vou ligar pra mainha. 
- Diana, você vai matar sua mãe do coração, da última vez você ligou de um motel com um assaltante com uma arma apontada pra sua cabeça. 
- Só existem duas opções: ou ele bebeu todas e se deu bem, ou drogaram ele e levaram para algum lugar. 
- Vou voltar, vou encontrar ele Agora. 

Di é determinada (demais), o relógio já marcava 23h30 e Eu e Pacele queríamos matar Joãozinho muito mais que antes. 

Ele foi encontrado sentado no chão com olhar inocente. Tadinho.

Thursday, February 18, 2010

The noble reason


O post dessa quinta-feira devia ser sobre o carnaval mais lindo do mundo. Vou ficar devendo.

Hoje, pós-carnaval, pós-doença e com a auto-estima um pouco abaixo do chão, foi o dia de voltar para a academia. Levantei da cama, desliguei o MSN, me arrumei e fui feliz acabar com essa gordura que está tomando conta do meu corpo. Eu sei que minha vaidade às vezes passa um pouquinho dos limites saudáveis, mas todo mundo passa hoje em dia, e eu também sei que passo uma imagem fútil here and there, mas isso é para quem não me conhece então...

Saí de casa me sentindo menos gorda, puro efeito psicológico e vi vindo ao longe uma mãe empurrando uma cadeira de rodas. Na cadeira uma menina em seus 12, 13 anos, as duas pernas imobilizadas à frente, poucos movimentos e totalmente descoordenados, acho que não consegue falar se não o mínimo para efeito da comunicação básica, parte do rosto paralisado – dava pra ver pelo sorriso... Sorria.

Essa menina, cujo nome me foge a memória, morava no meu prédio cerca de dois anos atrás, quando o acidente aconteceu. Ela estava atravessando a rua e foi atropelada por um carro, fraturou muitos ossos, costelas, fêmur, sofreu traumatismo craniano e perda de massa encefálica. Ela ficou semanas em coma, foi dada como tetraplégica... Eu ainda lembro de ver o sangue no asfalto pela minha janela.

Meu namorado da época trabalhava no hospital em que ela ficou internada e me contou sobre a mãe, que mulher, que mãe. Tantas mães loucas e desequilibradas por aí e essa tão forte. O marido (que não era pai da menina) abandonou a mulher com a filha, logo que esta recebeu alta. A mãe largou o emprego, não sei como vive. Alguns meses depois a menina já dava sinais de uma melhora que eu duvidava e depois disso se mudou.

Olhei para as duas e parei, sorri meu sorriso mais sincero, as cumprimentei com a maior admiração e ela foi capaz de lembrar que mais ou menos na mesma época do acidente minha mãe esteve doente... Elas tinham pressa, a mãe estava levando a menina para passear.

Heart-breaking, um soco no estômago e uma lembrança do motivo deu estar estudando há três anos para entrar numa faculdade de medicina.