Tuesday, March 8, 2011

Você, 25 ou menos

Hoje, tão mais amante que poeta, calei. Fugi do tormento da escrita até considerar o alívio que poderia ser, e espero que seja. 

Carnaval estranho esse. Meus planos se resumiam a fazer nada, depois uma viagem de última hora que mataria qualquer um de vontade, e me matou, but then again, estranho. Uns dias de estranhamento total, uma volta a sentimentos antigos de não pertencer a algo, preocupações que não valem muito a pena. Cancela a viagem. 

Eu, 19 anos, chorando para ficar em casa no carnaval. 

Dia 1: vai pra aeroporto, recebe amiga querida de viagem, abraço gostoso, encontro de amigos. Dia 2: aeroporto de novo, amiga diferente, abraço de saudade e de conforto que nem a gente entende de onde veio (tão poucos nossos abraços). Encontro de amigos de novo, turma que ninguém tinha muita certeza se seria reunida sem maiores atropelos. Bebida, muita. 

Eu, 19 anos, querendo afogar mágoa em álcool. 

O resto dos dias pode ser resumido. Casa, filme, comidas que engordam, colo de mãe. Recusas de saídas, passeio na praia, mais colo de mãe. Pega o celular, abre o flip muito mais por hábito que por objetivo, fecha. Celular para quê? 

Celular era para mandar uma mensagem de 'boas vindas de volta' ainda na madrugada da chegada. Mas em algum lugar desses dias estranhos eu achei que não devia, e celular passou a ser para receber uma mensagem sua, se assim você quisesse. 

Meu retiro foi sabotado pela minha vontade de não confrontar esses pequenos grandes monstros, até hoje. Hoje de madrugada, quando você volta pro meu mundo. 

Eu nunca gostei dessa ideia de "time apart", na minha cabeça isso só serve para ver que você pode viver sem. 
Sejamos realistas aqui, pode até doer, mas todo mundo sempre pode deixar outro alguém pra trás. A gente mergulha nessa fantasia de não estar sozinha e a presença do outro mina nosso raciocínio até ele ser completamente extinto e é aqui que nós ficamos cegas, vulgo, apaixonadas. Eu posso ficar sem, mas não estou com a menor vontade, ninguém precisa ficar lembrando que eu me basto. Eu gosto de não me sentir sozinha, eu gosto de fazer coisas que só faria com o raciocinio afetado. EU NÃO GOSTO DE TIME APART. 

Tempo é especialista em criar dilemas, e eu sou mestre em aplificá-los. Agora eu já penso em todas as possíveis reações pós viagem: o enésimo surto, o não devo, não posso. No fim da lista um "senti saudade". 

Surto meu, achar que você poderia não voltar, surto maior ainda por achar que seria mais fácil. Só em um dia muito estranho eu ia chegar a essa conclusão ridícula... e dia estranho por que? Por saudade, eu arrisco dizer, por medo, por esperança, por dúvida. 

Daqui a pouco é madrugada e eu não decidi se devo/posso/quero lhe mandar uma mensagem. 

Eu, 19 anos, apaixonada.

Tuesday, January 4, 2011

Make you smile


Eu queria convidar você para sair, mas até eu - que pareço tão extrovertida e segura - tenho as minhas restrições, então eu vou fazer o que eu sei... Convidar você a ver o mundo através dos meus olhos. 

Eu sou uma pessoa de primeiras impressões, de intuição e de olhar (como você bem notou quando comentou que meu olhar diz tudo, ele diz mesmo, principalmente para você). 

Ver alguém pela primeira vez é sempre uma experiência de observação, do outro e do que este causa em mim. É perceber se o toque é gentil, se o sorriso é sincero e esperar que os olhos me digam algo mais, porque no fim são sempre os olhos os personagens principais. 

Dito isso, eu poderia escrever algumas páginas sobre o tempo que passei olhando você (como tenho certeza que você percebeu). Eu não vou. Eu vou me resumir a dizer que tudo me encanta, que você é lindo. Lindo e tem uma sutileza escondida no seu jeito tímido que lhe rege por inteiro, sutileza por cuidado e pelo medo que eu sei que você tem. Sentir medo é bom, acredite. 

Você sabe que eu quero você, mas não sabe o porquê... Você também quer! De novo eu poderia usar toda a minha maldita formalidade para discursar com um ar arrogante de segurança que eu nem sempre tenho... Eu só digo que você me faz querer ser legal... Fazer você sorrir é tão fácil e prazeroso que me parece imperdoável que alguém não o faça e muito menos que provoque uma lágrima. 

Eu quero você porque sua timidez é de uma sensibilidade que me faz ter medo de lhe quebrar. Tudo em você denuncia a sua docilidade e imaginar a confluência dos gestos do seu corpo inteiro em um beijo é um desejo que quase dói. Porque seus olhos, além da vontade reprimida (tão semelhante a minha), continuam puro mistério. 

Você me conhece pouco para saber, mas você não tem motivos para se preocupar comigo, eu não represento risco, eu só quero lhe fazer sorrir enquanto você demonstrar que quer. 

E se hoje escrevo é para lhe fazer sorrir.

Monday, December 27, 2010

Vontade

Do seu calar se fez a minha incerteza.
Vacilo pouco do sentimento,
E muito mais de tristeza.
Um talante quase sem por quê,
Perturbado pelo abatimento,
Embora cheio de querer.

Desejo que não conheceu Não
Morre de medo de encontrar,
Ou Ele ou exitação.
Apesar do delito, espera o perdão.

Absolvição pintada de felicidade,
Desenhada por seu beijo
E cunhada por minha saudade...

Sou sempre pura vontade!

Monday, December 6, 2010

Why so scared? (Part IV - Final)

Medo, medo, medo!

Tanto tempo investido e ainda é medo a sua resposta para mim.

Tempo, tempo, tempo, Mano Velho... Será que é você que vai me trair no fim? E se vai, é pela falta ou pelo excesso? Eu exercito a paciência; dou passinhos de tartaruga, espero uma resposta, um olhar que seja, que me diga que estou no caminho certo, que posso ir em frente.

Meu sorriso, minha conversa boba, meu toque, meu olhar... Você estava acostumado, o que aconteceu, então? Tempo, o tempo que eu não tenho ao seu lado e outros têm de sobra.

E lá estava eu - com meu sorriso de segunda-feira cuja única motivação é a expectativa de algo melhor, porque a vida está mesmo difícil - e você, não mais indiferente, ficou preso no limbo entre sua razão e Eu (sua vontade?).

Talvez eu ainda seja só a menininha simpática, mas não admito a possibilidade de continuar assim por muito. Talvez eu esteja muito errada, mas os motivos são nobres (nobres porque sinceros). Talvez você já tenha chegado ao seu limite, mas para mim é pouco.

Limites, limites, limites...

Seu desconforto e meu desassossego se unem em gestos singelos da intimidade conquistada e de pura sinceridade. E o desconforto deu lugar ao seu oposto, somente para seu ímpeto lhe trair e você pensar alto demais.

“Eu estou me controlando”

Repassei a frase em minha mente algumas vezes para ter certeza que não ouvi errado, olhei para você: inquieto, mudo, mas me olhava, provavelmente foi traído por si novamente e olhou mais do que sua consciência pôde contabilizar.

Medo, medo, medo.

Queria poder dizer que não precisa de controle, o que precisa é do meu beijo e tudo vai passar porque vou cuidar de você. Queria pedir que não fugisse e me deixasse ficar.

Ah, se ele soubesse... que em cada possível temor que sente, sou eu que estremeço, que a cada dúvida sua, sou eu que perco o sono. Se soubesse como eu o quero... e se acima de tudo, soubesse que não importa quão assustado se sinta, quem tem medo sou eu.

Thursday, December 2, 2010

Eu, que não aprendi a perder

Eu, que do alto da maturidade dos meus três anos decidi abandonar a chupeta. Minha mãe me contou que um belo dia eu acordei e disse que não queria mais, adorava, mas não queria. Eu me considerei grande demais para um costume tão infatil e joguei a minha preferida fora. Mamãe, com medo deu me arrepender de uma decisão tão drástica guardou uma chupeta reserva que serviria para me acalmar. Ela conta, com certo orgulho escondido, que eu chorei por dois dias e mordia meu dedo como que querendo suprir a falta daquele objeto indigno de mim. Muito solidária, minha mãe me ofereceu por diversas vezes a chupeta que havia guardado, mas eu sempre recusava. Ao terceiro dia eu não chorava, porque eu sou forte.

Eu, que quando criança quis brincar em um touro mecânico. Lembro do medo que senti, não me julgue, não ria... Eu tinha medo porque ele tinha um rosto e era coberto por pele de verdade, mas medo não se explica. Enchi-me de coragem e tentei subir, comecei a chorar, saí derrotada nos braços do meu pai. Na semana seguinte eu voltei ao mesmo lugar e subi no touro, mas desci antes que fosse ligado. Eu tinha muito medo, passei semanas frequentando o lugar - apoiada pelos meus pais e pelo dono do touro que começou a realmente admirar minha persistência para um objetivo tão reles - até o dia em que não só montei como não caí. Eu chorei de raiva por ter medo, mas me tornei ótima em algo que considerava difícil, porque eu não admito temer nada.

Eu, que quando fiz natação treinava com os adultos. Nadava bem demais para a minha idade, me relacionava melhor com os pais dos meus amigos e acabei ficando amiga da mãe de um garotinho um pouco mais velho do que eu. Eu fui boa por pura aptidão e fui adulta porque me considerei superior.

Eu, que fui a melhor levantadora que pude. Na segunda semana de treino entrei para o time acima da minha faixa etária e observei, procurei ser inteligente, detalhista, perfeccionista. Minha habilidade ganhou técnica, talvez tenha sido nesse momento que eu aprendi a observar tanto... Orgulho-me em dizer que quando precisei deixar a equipe meu técnico ofereceu toda e qualquer possibilidade para que eu continuasse. Eu fui uma das melhores porque eu me dediquei.

Eu, que aprendi a falar inglês praticamente sozinha. Entrei para o melhor curso para falar perfeitamente (não quiseram me aceitar por não ter a idade mínima, fui a caçula da turma mais uma vez). Terminei com honras, apesar de não ter atingido 10% de presença no último semestre. Alguns anos após a minha conclusão fui citada como exemplo de aluna, num curso para professores na mesma escola. Eu fui a melhor porque eu me dediquei ainda mais.

Eu, que montei um cubo mágico. Com um tempo total de aproximadamente dois anos entre a compra e montagem completa, com largas interrupções, eu consegui. Eu consegui porque eu não desisto.

Eu, que sempre fui caçula vou ser mais velha na faculdade. Eu ainda não passei, e só eu entendo a dor que é achar que minhas vitórias não valem mais tanto. Aluna impecável, sempre figurando entre melhores notas, melhores trabalhos. Inteligente, interessada, dedicada. Eu aprendi tudo, mas não aprendi ainda a não ter medo de fracassar, não aprendi a ser condescendente comigo. Minha vida contribuiu para essa exigência exacerbada, eu sempre consegui tudo, mesmo quando pareceu que ficaria pelo caminho...

Às vezes parece que eu estou ficando no caminho e eu preciso mesmo lembrar. Lembrar que acima do meu perfeccionismo e do meu medo de não ser incrível estão a minha dedicação, minha determinação, minha persistência.

E eu não desisto, nem perco.

Thursday, November 4, 2010

Why so scared? (Part III)

E você impassível.

Não, não pode ser tão indiferente assim... Eu não estou imaginando, em algum momento que nem mesmo eu percebi você se emaranhou nessa teia de tentação e conquista, que eu tão minuciosamente teço dia após dia.

Eu tento testar, quero ver envolvimento, quero saber se você responde aos meus diferentes estados de espírito. É simples, mas expressivo: se percebe que estou triste, significa que me observou suficiente para saber quando me comporto diferente, significa que olhou para mim e se me olha... Ah, não sou tão indesejável.

Passou no teste. Não entenda mal, eu realmente estava triste.

Olhou-me de uma forma única, indecifrável. Queria falar comigo e não falava. Os poucos metros que nos separavam pareciam intransponíveis. Subitamente eu pareci longe demais, inalcansável, proibida. Por que era tão difícil para você? Eu já não cumpri a tarefa mais árdua? Já não me mostrei dócil? Não mostrei?

Sorri um sorriso sem graça e você pareceu se encher de coragem. Quebrou a primeira barreira e me olhou um olhar tão sincero que eu poderia chorar, poderia lhe abraçar e beijar e... Eu queria tanto você.

Em semelhante situação, dias depois você estava tão pertinho, quatro passos à frente e me tocaria, você me olhava e deu um passo, abriu a boca na tentativa de formular uma frase que escapasse antes de você pensar nos contratempos. Desistiu... Deu três passos para trás antes de romper o cruzar com os meus olhos - tristes de novo.

Medo. O olhar indecifrável é nublado pelo medo. Medo de quando eu chego e ofereço meu melhor sorriso, medo da minha mão leve que toca sua pele sem querer, medo da minha presença, medo de ficar perto de mim...

Seu desconforto é tão palpável que me dói, mas sou incansável, faço você me abraçar. Quero que sinta meu corpo, quero que se acostume com minha proximidade, mas tudo que sinto é medo, um abraço tenso de quem quer fugir. Você é tão transparente... E ainda assim não consigo ter certeza. Tão transparente e ainda tão indecifrável.

Eu quero tanto, e queria poder, e poder fazer tudo mais fácil, mas não posso. Você vai precisar quebrar suas próprias barreiras, e a mim só resta sorrir do outro lado e esperar que seu temor não sufoque seu olhar antes que eu o entenda.

Friday, October 29, 2010

Why so scared? (Part II)

Eu sempre estou te procurando e inusitadamente costumo achar quando me distraio (ou me distraio quando encontro? Não saberia dizer ao certo.). Fato, é que alguma coisa acontece nesse momento e eu sinto o mundo diferente; tenho a nítida sensação de que todos os empecilhos ficam menores e isso provavelmente sou eu sendo convencida... É que quando eu estou perto de você, me torno mais real – e isso sou eu sendo insegura, achando que sou uma menininha simpatica que voce vê de vez em quando... mais uma. 

Eu detesto achar que sou só mais uma, quero ser a mulher interessante que você sente falta, a menina cujo sorriso lhe desconcerta. Quero que voce leia dos meus olhos as promessas proibidas que faço silenciosamente – até para mim, mas sempre reafirmo. Para mim o proibido é negar. 

Não sou inconsequente, sei dos passos que dou, porém minha responsabilidade tem lá seus pormenores, melhor dizendo: minha retidão. 

Dirigir no asfalto lisinho é uma delícia até você dormir sem perceber, as curvas nos mantém vivos. 

Nessa mescla da minha vontade com o meu gosto pouco ortodoxo pelas curvas, delineou-se meu desassossego.

Tuesday, October 26, 2010

Why so scared? (Part I)


É meu sorriso fácil e largo que se oferece até quando não percebo, até para quem não conheço, até quando a vontade é outra? "Sorriso de segunda-feira", ele disse algo que me denunciou.

Minha naturalidade abusada.

Talvez minha conversa ocasional-proposital, comentários sobre todos os assuntos saltam dos meus lábios tão facilmente quanto as ideias dançam à minha frente.

Minha leveza arquitetada.

O meu toque disfarçadamente inocente, um quase 'sem querer' misturado com um 'não há de ser nada'. Um toque para causar dúvida, rápido o suficiente para não assinar a confirmação.

Minha superioridade calculista.

É meu olhar dedicado que acompanha meu desejo; cauteloso quando quer, ou descarado para declarar tão velado interesse, para provocar, para fazer perder o sono. O olhar audacioso inevitável, o distante para ludibriar, olhar cafajeste para brincar... Todos juntos na missão de mascarar o inextinguível olhar bobo apaixonado.

Minha segurança forjada.

Monday, October 4, 2010

Politics of love


Em uma conversa sobre amor e política, uma amiga chegou à conclusão óbvia e ululante que eu nunca havia cogitado.


- Olha, eu juro que amor pra mim é tão simples quanto política. Você separa lá o partido que quer um estado atuante do outro que quer privatizar tudo, separa quem gosta de quem não gosta de imposto, quem é pró-social de quem é pró-avanço, e vai separando. Não tem que elaborar muito, o único problema é que na política você não muda de lado fácil... E no amor você se perde um pouquinho.

- Talvez seja esse o problema. Perceba, você vai escolher o partido Pró-Social e eu vou escolher o Pró-Avanço...

- Mas isso é que faz a teoria dar certo. No Pró-Avanço, você vai encontrar o amor do seu jeito, do jeito que você espera que seja o amor.

- Só tem gente louca no pró-avanço. Eu sou uma pessoa muito quebradinha, eu tenho o dom de escolher as pessoas mais podres e levar chifres, ou então pessoas egoístas e infantis, ou que simplesmente não sabem o que sentem... Não se conhecem. Minhas experiências são péssimas, então, se fosse pra julgar este mérito, eu deveria ser a maior cachorra do mundo, fazer as maiores sacanagens e evitar relacionamentos, e nem faço isso...


Eu não fujo, mas devo admitir: às vezes eu me assusto fácil. Assusto porque falta envolvimento, falta vontade... Aquela que lhe faz fantasiar e arrepiar sem nem um toque, sem um cheiro - imagine se houvesse. Que devastadora sensação seria essa?

Sem vontade só me resta preguiça.

Eu tenho vontade de mais, de alguém que planeje como eu, que se dedique a uma conquista como quem sabe que é o passo mais importante. Sentir o sabor de perturbar, ver expressões de um desejo sendo reprimido no exato momento em que os olhos cruzam com os seus e poder, mais tarde, dar vazão ao desejo mais proibido. Como as pessoas podem ter esquecido que o prazer da antecipação é o determinante do prazer futuro?

Eu sou Pró-Avanço, e deste lado da política o vazio ocupa todos os espaços. Vazio de beijar 30 bocas em uma noite, porque são bocas e alguém disse que dão prazer, porque são bocas e você ganhou o direito de beijá-las, porque são bocas e alimentam o seu ego.

O ego é uma das variáveis mais importantes no Pró-Avanço, tão importante quanto a vaidade e o narcisismo, que se confundem e engolem um ao outro. Nada satisfaz os membros deste partido quanto fazê-lo sentir-se único, e singularmente importante.

Deste lado as pessoas são desinibidas, expansivas. Muitas pessoas estão no Pró-avanço por serem populares, por serem vistos com admiração pelos outros membros e por dominarem a arte da conquista. Nesse caso não precisam beijar as 30 bocas, eles são parte do alto comissariado do partido e já provaram do que são capazes se quiserem, mas eles cresceram e atingiram o real objetivo do aglomerado político em questão.

Viram seus reflexos pelos olhos dos outros, aprenderam a conhecer e dominar a si próprios, distinguiram o valor e atribuições de cada cargo político, ser senador lhe dá poder de manipulação, ser presidente traz um fardo de negociações e solidão. O senador pode ganhar mais, mas o presidente o é por idealismo.

O presidente do Pró-Avanço vai ouvir que pode escolher quem quiser e o terá. Terá mesmo... por uma noite, ou até quando suportar o vazio. O presidente é sensível, machucado e carente.


Minha amiga é Pró-Social e isso não é melhor ou pior, ela só não gosta dos impostos... Os dilemas internos dos partidos possuem diferentes variáveis, mas são similares e nós duas esperamos fortemente que seus presidentes achem uma forma – que nós ainda não achamos – de driblar o sistema e descobrir no vazio um inteiro.

Monday, September 20, 2010

Esfinge

Não consigo decifrar.

Nunca consegui e muito pouco mudou com o tempo que brinca de nos separar e unir. Nada mudou e eu sou incapaz de perceber quando intimidade é demasiada.

Sobra liberdade, faltam limites, controle.

Não deve estar certo.

Valores, convenções, pudores, a falta destes. Não saber até onde se pode ir sem se perder... Poder ir além... Não notar.

Sempre foi fácil demais.

Se me olha e me perco não faz diferença se beija, penso, “beijo depois”. Posso tocar como quiser, mas não beijar... Passa a fazer diferença, lembro da antiga proposta silenciosa, tão dolorida. Impossível não remoer, fosse eu outra pessoa nunca mais me veria.

Complacência demais.

Tem que estar errado.

Sobra provocação e o encanto - já tão sofrido - se quebra mais um pouco.

Eu não decifro... Você me devora, ou pelo menos a parte mais entregue de mim, que não para de se perder.

Sunday, August 22, 2010

Love the life you live

Quando paro por um segundo pra pensar em todos os possíveis ‘e se’ ainda tremo. Medo da impotência, da audácia (de todo mundo), medo por lembrar tão bem tudo que pensei em 60 segundos - pensei bastante.

‘Sinais’, Mari falou. Eu acredito em sinais, em premonição. Faz um mês que sonho que sou assaltada, não tinha lugar para parar o carro e paramos longe, ao tentar entrar no condomínio a porta de vidro era dura de abrir:

“Tem que puxar um pouco pra trás e depois empurrar com força”

Rua tranqüila, condomínio seguro, um vigia que trabalha armado e um lugar conhecido que dá a falsa sensação de segurança. 

Eu (atenta, quase paranóica), Mari (atenta e atrevida), Paula (a pessoa que nunca vê nada e fica fora do carro falando no celular quando todo mundo está tendo maiores cuidados). Eu ainda não decidi se foi uma combinação perfeita ou muito perigosa.

Enquanto descíamos as escadas que levam à rua, olhando através do vidro que ainda nos separava do lado de fora observei a casa da frente:

“Todo dia tem uma festa nessa casa”

Eu vi a festa e nem pensei em olhar pra rua.

Descemos, fomos andando em direção ao carro. Ouvi um barulho de pneu de bicicleta cantando, parei, fiquei olhando, vi um homem e na mesma hora sabia que não era coisa boa. Mari parou também, alguns passos pequenos enquanto pensava o que fazer... 

Mari virou e dava passos curtos de volta, eu olhava o homem nos olhos e ele disse alguma coisa, eu estava tão concentrada em decidir o que fazer que não ouvi nada, só “celular”. Olhei Mari, andando quase parando, Paula lá na frente alheia a tudo. Dei um passo e alcancei Mari.

Caminhei ao seu lado, ela muito mais nervosa do que eu perguntou: 

“O que a gente vai fazer?”

“Não sei ainda...”

Exatamente nessa hora Paula passou correndo ao nosso lado. Pensei – fudeu. Falei – CORRE.

Correr nunca foi tão fácil, mas também nunca tive tanto medo de levar um tiro, de olhar pra trás e ver que ele estava armado e perto de mim, pensar o que ele faria.

Na porta de vidro as três gritando pro porteiro abrir, porta travada. Mari tentando segurar Paula pra “puxar depois empurrar” e eu que literalmente me joguei contra a porta.

Você entende o que é adrenalina? É não pensar e fazer. É correr, gritar o suficiente pra rua inteira se assustar, é se jogar contra uma porta que não abre sem medo de se quebrar, e é não olhar pra trás, nunca.

Engraçado é que cada uma estava vivendo um momento, e só depois conseguimos juntar tudo. Mari não lembra sobre ter perguntado o que fazer; Paula não viu nada, o homem gritou para ela não correr, e quando nos viu andando de volta ela correu; eu, quando vi uma de nós correr pensei que ele poderia estar logo atrás, então não me restou muito a não ser correr, não lembro ter dito, mas Mari disse que eu mandei ela correr também. Mari voltou porque estava com a chave do carro na mão, eu voltei porque não tinha ninguém perto e seríamos uma presa fácil para mais do que um simples assalto. Paula, bom... Paula não pensou, ela correu.

Mesmo depois de entrar no condomínio continuamos correndo até o sofá da recepção, as três sentaram, tremendo muito começamos a juntar os pedaços da história. Ninguém viu uma arma (mas ninguém ficou pra ver também), todas pensaram enquanto corriam e todas pensaram em agradecer a Deus, mesmo não sendo praticantes de religião nenhuma, e todas passaram o resto da noite achando tudo muito bom e a vida muito boa.

Sunday, August 1, 2010

The look

As palavras que ferem são tão mais sutis que esses olhares, e se me perguntam de que são eu prefiro não responder. Não pensar. Não saber o que traduzem.

Dói. Dói porque chega uma hora que eu inevitavelmente me anulo e me reduzo ao papel que fui feita para ocupar. Educada, impassível. Um sorriso no rosto, e os problemas da porta de casa para dentro. Nem devia doer tanto, mas já o fiz por tão longo tempo que um segundo a mais significa tortura por perder mais um pedaço, por lembrar quantos outros foram deixados no caminho cada vez que me submeti a qualquer cordialidade que não desejei de fato, todas as vezes que fui um 'eu' disfarçado de 'todo mundo'.

Eu penso que nota, mas não. As mágoas são minhas e são pequenas aos olhos de quem não vê com a sensibilidade que eu sinto. O que eu vejo? Um mundo meio embaçado pelas minhas lágrimas com escassa empatia e alguns bons amigos.

Mostra-se tão preocupada que o novo olhar lançado quase me faz sentir culpada, me pergunta, tenta entender, eu tento respirar porque respirar é tudo que eu preciso - além de um abraço, talvez.

Eu sei que é hora de ser adulta, mas só queria não precisar. 

Como pode ser dificil entender quando tudo está sendo visto, quando eu estou tão indefesa... Como pode ser necessária uma explicação? E como pode ser mais cruel depois que falo? Como pode dizer que sou egoísta?

Acha que me faz um grande favor em calar, mas os olhares dizem tudo e quando acuso de silenciosa condenação perde o olhar, e a fala.

Wednesday, April 14, 2010

Don’t hate the player



Quantas vezes você já ouviu alguém maldizer a ‘malandragem de um jogador’? E quantas vezes, você mesmo, disse que ‘aquele conquistador não tem sentimento’? 

Parece tão fácil, para todo mundo achar... E eu nunca entendi por que uma pessoa que se doa tanto é considerada fria, sim, o tipo ao qual me refiro dá muito de si. Entrega o corpo e dedica sua atenção e parte do seu tempo, satisfazendo as expectativas que giram em torno da concepção que outros fazem dele próprio. Pensam que ele usa, mas é tão usado quanto, mais vezes e por mais pessoas. 

Já percebeu como são figuras desejadas? Todo mundo quer tirar uma lasquinha. Porque ele tá lá, é bonito, agradável, interessante... e pode ser fácil se você o divertir um pouco, ou no mínimo lhe dará um não educado e cheio de charme. 

Não sei... Eu sempre achei o contrário e talvez esta seja a origem de alguns problemas na minha vida sentimental. Sempre achei o cafajeste o mais frágil da festa, o mais misterioso, o mais cheio de sentimentos e sim, o mais interessante. 

Com a mesma facilidade que todo mundo vê um cachorro, eu vejo alguém meio parecido comigo. Um tanto perdido, machucado pela vida e pelas pessoas, sem querer se mostrar muito e ao mesmo tempo mostrando o que é conveniente, controlando o jogo, jogando, ganhando (?). Toda conquista tem um sabor meio agridoce no fim. 

Eu acredito que grandes amores perdidos, grandes decepções resultam em conquistadores incuráveis; pessoas de personalidade muito forte postas em situações de completa fragilidade. É como tirar um leão da selva, onde caminhava 20 km em um dia, e colocá-lo em uma jaula de 2m. Se antes andava a passos lentos e constantes, agora vai correr em círculos até cair exaurido e sem êxito. 

Uma carga imensa de emoção, frustração, orgulho e medo. Eles não bebem na fonte da vida, são ávidos e mergulham, se afogam. 

É tão óbvio que quem tem muitos aos seus pés (porque assim deseja) e se divide em atenção a todos é a figura mais carente do jogo. Uma procura incessante, e inconsciente, de braços em braços, dia após dia. Não deseja se envolver porque acredita que se basta, quando em verdade, é quem mais precisa de alguém ao seu lado num dia de resfriado. 

Eu tenho medo, porque para mim é muito claro. 

Eu sempre me identifico com o personagem controverso do filme - nunca gostei das mocinhas pudicas - sou prática, sou expansiva, sou condescendente com posturas que outros condenam (já fui traída e perdoei, já fui a outra, mas nunca traí), sou romântica, gosto de conquistar, gosto de ser desejada... Sou muito sensível e já fui muito machucada. Pareço uma rocha que não quebra por mais que batam - e batem bastante – e está sempre lá, no mesmo lugar, da mesma forma que antes, com o mesmo jeito doce pronta para a próxima (?). 

Até quando? 

Tenho medo de esquecer que nada me abala. 




PS.: I’m not a player. Uma conquistadora não escreveria esse texto, ou escreveria?

Thursday, April 8, 2010

Beach Party



Uma festa de velhos amigos, uns muito amigos, outros apenas colegas, mas todos de um tempo que não pode ser esquecido, momentos muito íntimos nos conectaram. Foi na casa de praia de um amigo que aconteceu a grande reunião, a programação era para dois dias e a sensação que me dominava era a de que todas as pessoas importantes na minha vida estavam lá, com cada um dos presentes eu tinha um passado. Um trabalho, uma discussão, um jogo, muitas lágrimas, por todos os motivos. Uma vida inteira compartilhada. 

Todos os desentendimentos eram pequenos demais, foi há tanto tempo, afinal. Aqueles dias eram só nossos, eram para ser criança e fazer besteira. Começando pela organização dos carros. O nosso estava lotado, todo mundo bebendo, e tinha blitz na estrada... Não lembro o que eu disse, talvez por ter dito muito, mas convenci o policial a liberar nossa passagem. Só então prestei atenção em quem dirigia. 

- Eu lembro de você! Nossa, faz muito tempo. 

- Eu também lembro de você. 

- Seu nome.. Não diz, vou lembrar... ehr.. Felipe, é FELIPE!! 

O anfitrião era Mauricio, e quando chegamos todos já estavam ocupados: jogos de cartas, rodinha de violão, uma rede armada testemunhando o reencontro de times que foram muitas vezes família. Time que eu tive que deixar cedo demais e ainda me dá saudade, eu nunca vou esquecer alguns pontos, a bola perfeita, o jogo impossível que foi ganho. A bola caiu e um deles veio me abraçar, surreal. 

Cantamos as nossas músicas e a todo instante eu parecia prever a chegada de alguém importante, mas a noite veio antes e com ela uma fogueira, vinho, mais música. O clima de romance inspirou antigos casais que sumiam e não mais voltavam. A atmosfera era absurdamente leve, abracei Thaís, abracei Rafinha e nasceu o dia. 

Minha mochila ainda estava dentro do carro, ri da minha falta de necessidade de tudo que julgo tão importante nos dias normais. Thaís me olhou séria. 

- Ele vai chegar daqui a pouco. 

- Eu sei, eu sabia desde ontem. Temos muitos amigos em comum aqui. 

- Ele me ligou, ta trazendo a namorada ciumenta. 

- Hurrum. 

Um ano. Pelas minhas contas era o tempo que não o via. Não amava mais, não desejava mais. Era muito especial, mas era só mais uma pessoa especial. 

Chegou. Eu estava jogada em um puff e alguém fazia carinho em mim, não levantaria por nada. 

Veio até mim com a namorada que não me conhecia, mas me odiava, elementar. Sorri largamente e Ele me ofereceu a mão para eu levantar. Claro que eu levantaria. Abraçou-me e me tocou diferente, dei um passo para trás me afastando imediatamente, condenei seu gesto e reparei na namorada, tão perto e tão alheia. Ele me olhou, como já olhou outras vezes, me desafiou e eu entendi a brincadeira. Dei três passos em sua direção e como em um abraço repousei minha mão em sua nuca e lhe beijei os lábios. Era um joguinho típico. 

A namorada não viu. Nos afastamos naturalmente e sorrimos, nos conhecemos tão bem, era tão fácil provocar. Voltei a ocupar meu lugar no puff, Ele, previsivelmente resolveu ficar por ali mesmo. A casa estava um caos, mas precisei entrar. Peguei minha mochila e finalmente coloquei em um dos quartos. Ouvi a porta sendo fechada atrás de mim. 

- Oi. 

- Achei que já tivesse lhe cumprimentado adequadamente. 

- Já. Eu senti saudade. 

- Também senti saudade, aliás, eu sempre sinto, só esqueço às vezes. 

- Você já me disse isso. 

- Eu sei. Continua verdade. 

Saí do quarto e chamei Thaís, só ela daria o conselho que eu precisava ouvir e se não desse também não brigaria (muito) comigo. Era contra meus princípios, era masoquista, era voltar no tempo, mas eu queria muito. Queria mais uma vez. Minha amiga sem limites rapidamente traçou o plano para entreter a namorada, eu teria pouco tempo para tirá-lo de onde estava. Senti vergonha, estranho, e senti medo de ouvir não, mas já ouvi tantos. Sentei ao seu lado. Estávamos perto e a namorada já estava a uma distancia segura. 

Falei em seu ouvido: a gente se fez muitas promessas, mas tem uma que eu quero que você mantenha. Um dia, quando nem estávamos juntos, você disse que eu sempre seria diferente, que mesmo namorando, ou mesmo que muito tempo passasse, você nunca seria capaz de resistir à mim. Hoje, eu quero que você diga que continua não conhecendo ninguém como eu. E quero sair daqui com você. 

Ele olhou fundo nos meus olhos, como era hábito. Traguei-o para mim e Ele levantou, me puxand... 







Trin trin trin… 

Despertador tocou.

Thursday, March 25, 2010

Get Lost!

Na aula de literatura da uma vontade boa de se perder do mundo....



Fugiu do que era comum a todos
Suspeitou poder mais. Tentou em vão
Desvendar a vida que tanto complicou.
Devia ter visto só que os outros viam
Seus olhos não obedeceram, da ignorância
O apelo de seguir o que parecia prisão
Foram longe, mas nunca com paixão.
O além do horizonte, sonhado, sem saber:
Horizonte era loucura, ou nada ser
Caminho tanto-solitário, quase-insuportável.
Se perdeu do que chamou lar
Vai buscar. Não sabe onde
Mas sabe, já não tem mais lugar.



PS.: Eu sei que não sei escrever poesia, eu já percebi!

UPDATE:

Por trazer em si um desejo maior
Fugiu do que a todos era comum
Suspeitou que podia mais
Da intuição fez brotar a crença
E nos seus passos confirmou a tentativa de um caminho novo
Desvendaria a vida que tanto complicou
Enxergaria cores outras
Seus olhos nunca obedeceriam ao apelo de serem imutáveis
O convite se converteria em cárcere
Acabaria por ser carrasco de si mesmo
Escravo de uma escolha sem propósito
Foi por isso que abraçou o acaso
Escolheu carregar sua verdade
Firmou os passos e fez sua dança
Seus olhos passeiam livres
Longe, sempre mais perto de onde desejou
Além do horizonte, sonhando, sem saber:
Porque horizonte é loucura, ou nada ser
Então, corre os riscos
Retira os véus
Dispensa as previsões
Em cada canto, uma casa
E em toda casa proteção
Fez da busca um abrigo
E do cansaço da luta
A tranquilidade de estar sempre consigo

Resposta de Livinha.
Leva Maré

Monday, March 15, 2010

Prince Charming's Recipe

“Ele tem vocação para acabar com a minha vida e o pior é que eu vou querer mais” 

Imagine conhecer alguém que preenche quase todos os requisitos daquela sua listinha insana, genérica da receita para Príncipe Encantado. Imagine o Príncipe lá, na sua frente, e num golpe de sorte ou do destino, vocês conversam. Conversam não, é como um monólogo. Nos primeiros segundos em que você não tem voz, só o observa. O príncipe hipnotisa. 

Sua voz, num tom agressivamente suave, divaga sobre assuntos diversos por horas a fio, sem que você precise falar muito e tudo que ele fala lhe interessa, é um poço de “interessantismo” o meu Príncipe. 

Tem a polidez de um Lorde e a gentileza de um cafajeste. É um conquistador nato, mas esse cafajeste se surpreende com a audácia (?) de um beijo de “até mais” vindo de uma estranha. 

Ele tem olhar tímido às vezes, e é lindo... É tão lindo que me dói. 

Nunca se viu, em reinos próximos, simpatia tão gratuita quanto a sua. Conversa com desconhecidos, assaltantes, guardadores de carros, a quem apelida “preguiçoso”. Com ele não há o que temer nas ruas vazias de uma madrugada metropolitana, nem há cansaço que seu sorriso não derrote com louvor. 

O Príncipe não facilita, imagine que você terá que se aproximar, driblando as barreiras do contato – não sabe se existem ou quais são. Você tenta: pega na mão com o pretexto de não se perder na multidão, quebra a resistência do primeiro passo. Faz-se inteira cuidados até receber sua deixa, e não deixa passar. Na noite lilás, declaro meu interesse e recebo um sorriso. O Príncipe não tem palavras, mas procura minha mão, acha, segura... Não soltou a noite inteira. 

Que delícia era poder segurar sua mão. Que delícia foi, por medo de incomodar, desentrelaçar os meus dedos e sentir que ele me procurou. Que delícia foi repousar minha mão sobre sua perna. 

Meu Príncipe me queria e não havia satisfação melhor. 

Ele me queria, mas não me tomou para si, quis esperar melhor oportunidade. Criou, com esforço, a ocasião... Arrepiou-me cada pêlo do corpo quando quis me mostrar uma música. Era a Minha música. Era a dele também. 

Olhava-me com pesar quando eu quase implorava seu beijo, me abraçou forte, marcou um pouco minhas costas, suficiente apenas para eu lembrar, saudosa e com terrível anseio.

Friday, March 12, 2010

So What?

- Pára com isso, olha pra você.
- O quê?
- Você é linda.
- Ah, brigada, mas e daí?
- Daí que você é linda. A noite é sua.
- Hum... No fim das contas, beleza não vale muito.
- Não é só ser bonita, é o conjunto, você sabe e só depende de você. Você pode ficar com quem você quiser, quem você escolher.
- Olha, se é que eu sou linda, lhe digo que isso nunca me serviu pra muita coisa, não pro que eu mais queria.
- ...

?

Quem mora em Uberlândia é o que?

Tuesday, February 23, 2010

Ahhh o carnaval (dia 1)



Sexta à noite, por volta das 22h: 

- Brabinha, vai passar carnaval onde? 
- Em casa, estudando talvez. Queria ir pra Olinda, mas ninguém daqui se animou. 
- Pois então bora pra Olinda? 
- Ohn, não fala, eu quero.. Como é isso? 
- A gente vai amanhã, eu e você, e voltamos domingo. 
- Ehr.. 

E foi assim que começou meu carnaval. Eu, que sempre odiei a data e fugia de qualquer movimento tive meu corpo possuído por um espírito do Maracatu - ou de uma passista de frevo... Tudo que eu queria era me jogar no meio do povo (e das ladeiras). 

Eu, povo, ladeira... Claro que me jogaaaaaaar não foi o que aconteceu, mas na tarde do sábado lá estávamos Eu, Diana e Joãozinho. Pausa para apresentar Joãozinho. 

Amigo da mãe da Diana, amigo do trabalho: olha que sujeito responsável... Um tipo meio europeu, taciturno era minha definição para ele que não abriu a boca durante os 300km em que eu e Di cantamos. 

Three little birds, sat on my window
And they told me I don't need to worry.
Summer came like cinnamon, so sweet,
Little girls double-dutch on the concrete. 
(…) 

Olinda é ótima se você souber achar a rua certa, e se na rua certa você fizer amizade com a mulher do churrasquinho que vai lhe dar passe-livre para o “camarote”, vulgo laje: espaço mais concorrido do mundo de Olinda. Passamos a maior parte do tempo lá, descemos para fazer uma vistoria no lugar e Joãozinho disse que ia “sair e voltava já”. 

Não existe “eu volto já” em Olinda. Não existe “te encontro em tal lugar”, principalmente se ninguém tem celular ou relógio. A lição número dois foi perdida por Joãozinho, ele resolveu seguir um bloco. E depois seguiu OUTRO bloco e nunca mais voltou. Qual a primeira lição? 

NÃO DEIXE A CHAVE DO CARRO COM O AMIGO RESPONSÁVEL QUE VAI SUMIR. 

4h de Olinda depois, muitos amigos encontrados, amigos novos feitos, cansaço tomando conta do corpo que saiu direto de Natal para a folia e nada de Joãozinho no lugar marcado. Mil idas e vindas na rua, multidão, homens suados, bêbados de um dia inteiro. Achamos que voltar pro carro era melhor, se você se perde dos amigos numa festa pra onde vai? Pro carro. 

/not 

Joãozinho não tava no carro. Pacele (amigo novo1), Rick (amigo novo 2), Diana e Eu sentamos no carro – em cima do carro. 

- A gente pega um táxi e vai pro hotel. 
- A gente não tem celular pra chamar um táxi, o dinheiro pra pagar tá dentro do carro e de que adianta estar no hotel se não tiver uma roupa pra trocar? 
- Ehr... 

Pacele e Eu voltamos, eu já disse que o estacionamento era longe? Era muito longe e tinham muitas ladeiras no caminho. Muitas ladeiras iguais e eu não sou a pessoa mais bem localizada do mundo. Nem Pacele. 

- Pacele, eu não lembro daquele posto que passou. 
- É porque ninguém tava prestando atenção na rua. 
- Pacele, eu não lembro daquele supermercado. 
- Ahh, olha ali a avenida, é só andar até lá. 

E assim nós andamos mais alguns metros até a avenida errada. Paramos, comprei uma água e joguei em mim mesma sob o olhar inquisidor da vendedora que não fazia idéia da dimensão do meu cansaço. Achamos a ladeira certa para o caminho de volta, mas não Joãozinho. 

Diana e Rick haviam saído para nos procurar, preocupados com a demora. 

- Alguém sabe fazer uma ligação direta? Se a gente arrombasse o carro ficava mais fácil... 
- Não... Vou ligar pra mainha. 
- Diana, você vai matar sua mãe do coração, da última vez você ligou de um motel com um assaltante com uma arma apontada pra sua cabeça. 
- Só existem duas opções: ou ele bebeu todas e se deu bem, ou drogaram ele e levaram para algum lugar. 
- Vou voltar, vou encontrar ele Agora. 

Di é determinada (demais), o relógio já marcava 23h30 e Eu e Pacele queríamos matar Joãozinho muito mais que antes. 

Ele foi encontrado sentado no chão com olhar inocente. Tadinho.

Thursday, February 18, 2010

The noble reason


O post dessa quinta-feira devia ser sobre o carnaval mais lindo do mundo. Vou ficar devendo.

Hoje, pós-carnaval, pós-doença e com a auto-estima um pouco abaixo do chão, foi o dia de voltar para a academia. Levantei da cama, desliguei o MSN, me arrumei e fui feliz acabar com essa gordura que está tomando conta do meu corpo. Eu sei que minha vaidade às vezes passa um pouquinho dos limites saudáveis, mas todo mundo passa hoje em dia, e eu também sei que passo uma imagem fútil here and there, mas isso é para quem não me conhece então...

Saí de casa me sentindo menos gorda, puro efeito psicológico e vi vindo ao longe uma mãe empurrando uma cadeira de rodas. Na cadeira uma menina em seus 12, 13 anos, as duas pernas imobilizadas à frente, poucos movimentos e totalmente descoordenados, acho que não consegue falar se não o mínimo para efeito da comunicação básica, parte do rosto paralisado – dava pra ver pelo sorriso... Sorria.

Essa menina, cujo nome me foge a memória, morava no meu prédio cerca de dois anos atrás, quando o acidente aconteceu. Ela estava atravessando a rua e foi atropelada por um carro, fraturou muitos ossos, costelas, fêmur, sofreu traumatismo craniano e perda de massa encefálica. Ela ficou semanas em coma, foi dada como tetraplégica... Eu ainda lembro de ver o sangue no asfalto pela minha janela.

Meu namorado da época trabalhava no hospital em que ela ficou internada e me contou sobre a mãe, que mulher, que mãe. Tantas mães loucas e desequilibradas por aí e essa tão forte. O marido (que não era pai da menina) abandonou a mulher com a filha, logo que esta recebeu alta. A mãe largou o emprego, não sei como vive. Alguns meses depois a menina já dava sinais de uma melhora que eu duvidava e depois disso se mudou.

Olhei para as duas e parei, sorri meu sorriso mais sincero, as cumprimentei com a maior admiração e ela foi capaz de lembrar que mais ou menos na mesma época do acidente minha mãe esteve doente... Elas tinham pressa, a mãe estava levando a menina para passear.

Heart-breaking, um soco no estômago e uma lembrança do motivo deu estar estudando há três anos para entrar numa faculdade de medicina.